Os Programas de Prevenção e Controle das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) ganharam novas dimensões e destaque no Brasil em 2026, marcado por avanços regulatórios, expansão de boas práticas e ferramentas dedicadas ao monitoramento contínuo. O país, alinhado às recomendações da Organização Mundial da Saúde e impulsionado pelas diretrizes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), incrementou o rigor e a transparência dos processos avaliativos dessas ações tanto no âmbito nacional quanto estadual e municipal.
A vigilância contínua salva vidas e fortalece o sistema de saúde.
Este artigo apresenta uma análise detalhada sobre o status da avaliação dos programas de IRAS no Brasil, abordando os processos institucionais, os métodos de aferição, além de ferramentas práticas como o IPCAT2 e a ANPCI, essenciais para garantir padronização, conformidade e aprimoramento constante.
A arquitetura dos programas de prevenção e controle das IRAS no país
A estrutura dos programas de controle de IRAS no Brasil é baseada em princípios de vigilância epidemiológica, notificação compulsória e avaliação regular dos resultados. O Programa Nacional de Prevenção e Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (PNPCIRAS) foi renovado para o ciclo 2026-2030, consolidando metas e indicadores claros para todo o território nacional, alinhados a padrões internacionais, como atestam os relatórios oficiais da Anvisa.
O papel da legislação é fundamental. Para além do PNPCIRAS, normas como a Portaria GM/MS nº 2.616/98 e a RDC nº 36/2013 estruturam ações e obrigações para serviços de saúde, determinando processos de notificação, criação de comissões internas (CCIRAS) e o envio de dados para esferas governamentais distintas, contribuindo para uma vigilância efetiva no combate às infecções hospitalares.
Processos de avaliação nacional
A avaliação nacional dos programas de controle e prevenção das IRAS passa por etapas sistemáticas e uso de plataformas digitais de coleta de dados. A automação das notificações e a padronização dos formulários trouxe maior qualidade e comparabilidade para os dados de infecções notificadas.
- O envio mensal de indicadores é obrigatório e abrange hospitais, serviços de hemodiálise e outros ambientes de cuidado.
- Os dados são utilizados para análise contínua, geração de painéis analíticos públicos e definição de políticas de capacitação e intervenção.
- O monitoramento inclui indicadores como Infecção Primária de Corrente Sanguínea, Pneumonia Associada à Ventilação (PAV), Infecções do Trato Urinário (ITU) e Infecção de Sítio Cirúrgico (ISC), além do perfil de resistência microbiana.
É obrigatório notificar mensalmente os eventos adversos, incluindo as IRAS.
Para saber como preencher corretamente os formulários de notificação de IRAS e evitar erros, há instruções detalhadas disponíveis, auxiliando profissionais na rotina de notificação.
Ferramentas de autoavaliação: ANPCI e painéis analíticos
Em 2025, a Anvisa convidou hospitais a participarem da Avaliação Nacional dos Programas de Prevenção e Controle de Infecção (ANPCI), um processo de autoavaliação estruturado para levantar pontos fortes e fragilidades desses programas. O objetivo é estimular a reflexão crítica interna, guiando ações futuras de aprimoramento, conforme destaca a comunicação oficial sobre a convocação pública da Anvisa.

Avaliação estadual: articulação e recortes regionais
Os estados têm papel ativo em articular as notificações locais, capacitar equipes e avaliar sistematicamente as práticas adotadas em seus territórios. A avaliação estadual dos programas é baseada em critérios nacionais, mas adaptada às realidades epidemiológicas e estruturais locais, com destaque para:
- Análise de dados enviados por todos os serviços estaduais, incluindo hospitais, clínicas e centros de diálise.
- Emissão de relatórios e feedbacks periódicos para as unidades notificantes, promovendo alinhamento aos objetivos nacionais e identificação de lacunas específicas.
- Articulação com a esfera municipal e federal para integração dos dados e alinhamento das políticas.
A força da prevenção está na atuação integrada entre os diferentes níveis do SUS.
O relatório da Anvisa que reúne análises das avaliações nacionais, estaduais e municipais – com ciclos realizados em 2018, 2022 e 2023 – oferece uma visão abrangente da evolução das práticas, desafios de implementação e êxitos conquistados. Tal documento está acessível em relatório oficial da Anvisa.
Avaliação municipal: proximidade e personalização
No nível municipal, as coordenações locais desempenham função primária de apoio direto às unidades de saúde. O acompanhamento é permanente, e inclui:
- Observação da aplicação dos protocolos de vigilância epidemiológica e cumprimento de notificações obrigatórias.
- Feedbacks em visitas técnicas, rodas de conversa e oficinas adaptadas à realidade de cada serviço.
- Capacitação focada em manejo de dados, uso de ferramentas digitais e estratégias para aumento da adesão às medidas de prevenção
Segundo o material atualizado sobre vigilância de IRAS em 2026, observa-se crescente participação municipal em debates e decisões sobre as metas dos programas, favorecendo uma construção coletiva e mais aderente ao cotidiano dos serviços de saúde.
Ferramentas avaliativas: IPCAT2 e ANPCI
Duas ferramentas ganham destaque na consolidação das avaliações de IRAS: o IPCAT2 e a ANPCI.
O que é o IPCAT2?
O IPCAT2 (Infection Prevention and Control Assessment Tool, versão 2) é um instrumento de uso internacional, adaptado para a realidade brasileira, que permite o diagnóstico situacional detalhado das práticas de prevenção e controle de infecções em qualquer serviço de saúde. A ferramenta avalia:
- Governança institucional, fluxos e políticas internas
- Capacitação de profissionais
- Suprimentos e barreiras físicas
- Adesão a medidas-chave (como higiene das mãos, uso racional de antimicrobianos, etc.)
O resultado do IPCAT2 não é apenas uma pontuação, mas sim uma mapa detalhado de avanços e fragilidades, norteando planos de ação localizados e viáveis.
O que é a ANPCI?
Destinada principalmente a hospitais, a Avaliação Nacional dos Programas de Prevenção e Controle de Infecção (ANPCI) funciona como um benchmark nacional. Cada instituição autoavalia suas práticas com base em um roteiro mínimo padronizado, que abarca perguntas sobre processos assistenciais, organização da equipe de PCI, indicadores de resultado, ações educativas e uso de protocolos oficiais. Os dados são enviados eletronicamente para as coordenações de estado e Anvisa, garantindo rastreabilidade e transparência do processo.
A qualidade do cuidado depende de um ciclo contínuo de auto avaliação e melhoria.
Resultados de 2026: tendências e desafios
Os dados disponíveis nos painéis da Anvisa evidenciaram algumas tendências importantes para 2026:
- Redução progressiva de alguns indicadores, especialmente em hospitais com histórico de avaliação contínua.
- Melhor desempenho em regiões cujas gestões estaduais investiram em capacitação e tecnologia.
- Maior integração das informações vindas dos serviços de diálise, impulsionada por protocolos específicos para notificação e acompanhamento das IRAS nesse ambiente – contexto detalhado nas orientações de 2026 para serviços de diálise.
- Avanço no controle e notificação em áreas como oftalmologia, refletido em novos guias e critérios diagnósticos, conforme exposto na página de vigilância em oftalmologia.
Apesar de avanços evidentes, há obstáculos que persistem: dificuldade na padronização de processos entre estados, desafios logísticos para pequenas unidades de saúde e distanciamento de algumas coordenações em relação à equipe assistencial. O relatório de avaliação identificou pontos de atenção, direcionando esforços de capacitação e investimento em sistemas de informação para superação dessas barreiras.
Contribuição dos dados e recomendações práticas
Os dados de vigilância e os relatórios de avaliação alimentam a tomada de decisão do Sistema Único de Saúde, desde a alta gestão até o profissional na ponta. Algumas recomendações práticas são constantemente reforçadas a todos os envolvidos na cadeia de prevenção:
- Capacitar periodicamente as equipes e promover cultura de notificação sem punição.
- Manter protocolos atualizados e acessíveis.
- Adotar instrumentos de automonitoramento, como checklists, para práticas críticas (ex: inserção segura de cateter central).
- Acompanhar e analisar indicadores locais, buscando sempre superação das metas estipuladas pelo PNPCIRAS.
Os efeitos dessa política integrada refletem na redução do risco de infecções, otimização do uso de recursos e maior segurança do paciente. A construção de um ambiente institucional seguro depende da participação ativa de toda a equipe, desde a alta gestão até serviços de apoio.
Impactos da avaliação: qualidade, segurança e transparência
O impacto mais visível das avaliações é o aprimoramento constante da qualidade do cuidado em saúde e a transparência no monitoramento de dados. A publicação de indicadores, acessíveis ao público, também fortalece o controle social e a participação dos diversos agentes envolvidos no sistema de saúde.
O ciclo “avaliar, corrigir, aprimorar” torna-se rotina, com oportunidades de troca entre profissionais de diferentes regiões e níveis hierárquicos, baseando decisões em evidências reais e em necessidades mapeadas localmente.
Transparência e aprendizado são as chaves para avançar no controle das IRAS.
Conclusão
A avaliação dos programas de prevenção e controle das IRAS no Brasil, em 2026, representa um percurso marcado por aprimoramento institucional, adesão de equipes, avanços tecnológicos e fortalecimento da cultura de segurança. O uso de ferramentas como o IPCAT2 e a ANPCI consolida a busca pela conformidade e permite ajustes dinâmicos frente aos desafios. Os resultados apontam para uma redução progressiva nas taxas das IRAS em muitos serviços, ao mesmo tempo em que novas metodologias permitiram diagnóstico precoce de lacunas regionais e ampliação das boas práticas.
O compromisso com a melhoria contínua permanece o maior legado de todo esse movimento. Muito há a se construir, mas a estrada já apresenta frutos de uma política nacional integrada e orientada por evidências, beneficiando milhares de pacientes e a saúde coletiva no Brasil.
Perguntas frequentes sobre IRAS e programas de controle
O que são as IRAS?
As IRAS, ou Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde, são infecções adquiridas por pacientes durante a prestação de cuidados em serviços de saúde. Podem afetar diferentes órgãos e sistemas e, geralmente, surgem após procedimentos médicos, cirúrgicos ou terapias invasivas.
Como funcionam os programas de prevenção?
Os programas de prevenção de IRAS são baseados em vigilância contínua, adoção de protocolos clínicos, capacitação das equipes e monitoramento dos indicadores. Eles envolvem desde a higienização adequada das mãos até o uso criterioso de antimicrobianos e avaliações sistemáticas dos resultados através de ferramentas como IPCAT2 e ANPCI.
Quais os resultados das IRAS em 2026?
Em 2026, houve redução em diversos indicadores das IRAS no Brasil, principalmente em instituições que mantiveram avaliações regulares e investiram em melhorias. Essa queda confirma o avanço do país na consolidação de práticas seguras e padronizadas, conforme os relatórios nacionais de vigilância e autoavaliação.
Existem custos para participar dos programas?
Não há cobrança para que hospitais, clínicas ou serviços de saúde participem dos programas nacionais ou estaduais de prevenção e controle das IRAS. No entanto, as instituições precisam investir em treinamento, aquisição de insumos e melhorias nas rotinas internas para atender plenamente as exigências legais e protocolos recomendados.
Onde encontrar informações sobre as IRAS?
As referências principais estão nos materiais da Anvisa, legislações nacionais e páginas voltadas à saúde pública. Também existem conteúdos dedicados a cada especialidade no portal oficial e em páginas de atualização técnica, como na seção sobre critérios de IRAS para 2026, ajudando profissionais a manterem-se atualizados com critérios, notificações e boas práticas.
Resultados de 2026: tendências e desafios
Impactos da avaliação: qualidade, segurança e transparência



