O controle eficaz das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) tornou-se prioridade para todo o sistema de saúde brasileiro. O Programa Nacional de Prevenção e Controle das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (PNPCIRAS) traçou um plano detalhado para o período de 2026 a 2030, estabelecendo metas e indicadores claros. Profissionais da saúde e gestores enfrentam o desafio diário de garantir ambientes mais seguros e pacientes menos expostos a riscos infecciosos. Mas afinal, o que precisa realmente mudar nesta década para que os objetivos sejam atingidos?
O contexto do PNPCIRAS 2026-2030
O novo ciclo do PNPCIRAS tem como foco a adoção de práticas seguras em todos os níveis de atendimento, orientando instituições públicas e privadas a notificar, monitorar e agir frente a IRAS com base em protocolos atualizados e rigorosamente controlados. O objetivo maior permanece o mesmo: reduzir a incidência e as consequências das infecções associadas ao cuidado em saúde no Brasil.
Com isso, o programa apresenta novas metas, estratégias e indicadores que envolvem desde a estruturação das equipes de controle até a análise contínua dos dados de vigilância epidemiológica. O processo de monitoramento ganha interoperabilidade com sistemas eletrônicos e padronização em todo território nacional, atendendo à Resolução RDC nº 36/2013 e à Portaria GM/MS nº 2.616/98.
“Gestão baseada em dados faz a diferença no combate às IRAS.”
Principais metas do PNPCIRAS 2026-2030 e seus indicadores
Para o ciclo 2026-2030, o PNPCIRAS estabeleceu metas divididas por esferas de atuação, cada uma com indicadores objetivos e claras responsabilidades institucionais. Veja os focos prioritários:
- Vigilância ativa e notificação padronizada de eventos infecciosos.
- Redução das principais taxas de IRAS (infecção primária da corrente sanguínea, pneumonia associada à ventilação mecânica, infecção do trato urinário, infecção de sítio cirúrgico, entre outras).
- Fortalecimento das ações de prevenção e controle de resistência antimicrobiana.
- Melhoria sistemática da estrutura e dos processos assistenciais.
- Aumento do consumo responsável de produtos para higiene das mãos em todos os setores críticos.
- Monitoramento do consumo e da eficácia dos antimicrobianos.
Indicadores obrigatórios
O programa exige a notificação mensal dos principais indicadores de IRAS, RAM, consumo de antimicrobianos, sabonetes e soluções alcoólicas em UTIs e outros setores críticos. Entre os indicadores monitorados, destacam-se:
- Densidade de incidência das principais IRAS por tipo de unidade e procedimento.
- Taxa de utilização de fatores de risco (ex: ventilação mecânica, cateter venoso central, dispositivos urinários, etc.).
- Adesão aos protocolos institucionais, como o checklist de inserção segura de cateter central.
- Consumo de antimicrobianos, calculado por DDD (Defined Daily Dose) e sua relação com incidência de resistência bacteriana.
- Consumo de produtos para higiene das mãos.
- Notificação de surtos e eventos adversos.
A vigilância das IRAS: monitoramento contínuo e ação imediata
A meta de aprimorar a vigilância parte da identificação ativa e da notificação de todos os casos de IRAS em tempo real. A obrigatoriedade da notificação mensal dos indicadores fortalece a capacidade de resposta dos serviços de saúde e subsidia políticas públicas mais assertivas.
A orientação técnica do programa deixa clara a necessidade de manter um histórico dos indicadores, promovendo análise de tendências, identificação precoce de surtos, avaliação de adesão aos protocolos e reavaliação constante dos processos institucionais.
A comunicação dos dados deve ser feita eletronicamente, seguindo o roteiro definido pelas notas técnicas, deixando o sistema nacional atualizado e integrado às demandas locais e regionais. Uma análise adequada dos indicadores históricos permite ajustes inteligentes nas práticas de prevenção.
- Quando ocorre aumento nos indicadores, recomenda-se investigação de causas e adoção imediata de medidas corretivas.
- As taxas e os indicadores devem ser divulgados regularmente para as equipes assistenciais, estimulando o envolvimento dos profissionais no enfrentamento das IRAS.
- Recomenda-se relatório trimestral dos indicadores cirúrgicos para as equipes responsáveis.
Processos obrigatórios de notificação e comunicação
Todo serviço de saúde com UTI, centro cirúrgico, maternidade, ou atividades de hemodiálise, é obrigado a participar da notificação padronizada conforme instruções da ANVISA. Os formulários nacionais, disponíveis em plataforma eletrônica, abrangem diferentes cenários: UTIs adulto, pediátrica e neonatal; cirurgias limpas; procedimentos oftalmológicos; diálise; consumo de antimicrobianos e produtos de higiene, entre outros.
“Notificação precisa viabiliza prevenção e resposta rápida.”
Vale lembrar que essa notificação deve ser feita mesmo em casos de ausência de registros positivos, respeitando as obrigações legais e reforçando o compromisso institucional.
Com a evolução do monitoramento, os dados são compartilhados entre ANVISA, coordenações estaduais, municipais e instâncias locais para orientar estratégias específicas e alocação de recursos.
Prevenção e protocolos eficazes: da teoria à prática assistencial
O PNPCIRAS enfatiza a necessidade de protocolos claros, baseados nas melhores evidências disponíveis, para prevenção de IRAS nos seguintes cenários:
- Manuseio de cateteres venosos centrais e periféricos.
- Ventilação mecânica e práticas de higiene do trato respiratório.
- Instalação e manutenção de dispositivos urinários.
- Cuidados em cirurgias limpíssimas, cesarianas, artroplastias e próteses, revascularização do miocárdio, neurocirurgias, facectomias e injeções intraoculares.
- Protocolos de limpeza, desinfecção e esterilização de ambientes e materiais.

- Higienizar as mãos
- Antissepsia da pele com solução apropriada
- Esperar o antisséptico secar antes da punção
- Uso de barreira máxima (incluindo gorro, óculos, máscara, avental estéril, luvas estéreis)
- Campo estéril cobrindo o paciente dos pés à cabeça
- Curativo oclusivo estéril
A aderência integral a essas medidas está diretamente associada à redução das taxas de infecção primária da corrente sanguínea.
Gestão dos antimicrobianos e resistência microbiana
O uso racional dos antimicrobianos é outro pilar. O controle do consumo e o monitoramento das incidências de resistência microbiana figuram como metas centrais do PNPCIRAS até 2030. Deve-se avaliar rotineiramente as taxas de resistência das principais bactérias envolvidas em IRAS e desenvolver ações de educação permanente entre as equipes.
Os relatórios eletrônicos periódicos ajudam na compreensão dos padrões locais de resistência, orientando os protocolos terapêuticos e de isolamento. O envolvimento direto do laboratório de microbiologia das instituições nesse processo é fator decisivo para o sucesso das estratégias.
Ambiente seguro: controle ambiental e fluxo de ar
Para garantir a redução das IRAS, o PNPCIRAS destaca o fortalecimento do controle ambiental, incluindo monitoramento da temperatura, fluxo de ar e condições de higiene em ambientes assistenciais. Ambientes adequados reduzem o risco de transmissão de microrganismos e melhoram a segurança do paciente.
É recomendado que instituições invistam em fluxos de ar controlados, manutenção de filtros, higienização criteriosa de superfícies e protocolos frequentes de desinfecção, especialmente em áreas críticas. Referências detalhadas e orientações de implementação podem ser encontradas em guias sobre controle ambiental e fluxo de ar.
Resultados esperados até 2030
Com a somatória dessas ações, o programa projeta resultados bastante concretos para o ciclo 2026-2030:
- Redução consistente das principais taxas de IRAS em UTIs, centros cirúrgicos e setores de hemodiálise
- Estabilização ou redução dos indicadores de resistência microbiana
- Aumento da adesão a práticas seguras e melhoria do ambiente hospitalar
- Maior integração entre equipes assistenciais, laboratórios e gestores institucionais
- Ampliação do consumo adequado de produtos para a higiene das mãos
- Gestão proativa de surtos, com respostas rápidas e dados em tempo real
- Envolvimento de toda a rede de atenção à saúde, em todos os níveis de complexidade
Para que esses resultados sejam alcançados, desenvolver um sistema robusto de vigilância epidemiológica de IRAS e investir em educação permanente é mandatário. O desenvolvimento local deve sempre manter-se alinhado às diretrizes nacionais.
Desafios e próximos passos para as instituições
Implementar e acompanhar as metas do PNPCIRAS não é tarefa instantânea. Trata-se de um processo que exige envolvimento, treinamento contínuo, investimento em tecnologia, atualização dos protocolos e engajamento direto dos profissionais. Cada unidade assistencial deve:
- Analisar seus dados históricos para identificar pontos críticos e propor intervenções.
- Atualizar periodicamente suas práticas com base nos resultados apresentados, minimizando riscos e corrigindo rotas conforme necessário.
- Incentivar a cultura institucional de segurança do paciente, tornando todos os colaboradores protagonistas do programa.
- Divulgar frequentemente os resultados dos indicadores para toda a equipe e, se possível, compartilhar experiências de sucesso com outras unidades.
- Utilizar ferramentas digitais para centralizar, facilitar e auditar as notificações, evitando falhas ou atrasos na comunicação de eventos.
Instituições que buscam aprimoramento institucional para prevenção de IRAS podem se aprofundar através de guias e orientações sobre implementação de programas de prevenção.
Critérios diagnósticos e especificidades de notificação
Os critérios diagnósticos são padronizados em todo o país, abordando casos de infecção primária da corrente sanguínea, pneumonia associada à ventilação, ITU, ISC cirúrgica, infecções oftalmológicas e casos em diálise, cada qual com suas fichas específicas. Detalhamento sobre critérios de IRAS pode ser consultado conforme as atualizações do ciclo 2026-2030.
Deve-se garantir o correto preenchimento das fichas para minimizar erros e evitar subnotificação, sendo recomendado estudo prévio sobre como preencher corretamente os formulários.
“Detecção precoce e notificação correta previnem surtos e salvam vidas.”
Conclusão
O ciclo 2026-2030 apresenta um salto imenso na consolidação da cultura de segurança do paciente no Brasil. As metas do PNPCIRAS são ambiciosas, mas atingíveis sempre que acompanhadas de liderança ativa, engajamento coletivo, integração de sistemas e muita transparência. Profissionais que se dedicam ao tema são agentes de transformação, promovendo ambientes mais seguros e diminuindo o impacto das IRAS.
Dominar os protocolos, acompanhar indicadores, investir em educação e seguir as orientações nacionais são os caminhos para um cuidado assistencial livre de infecções evitáveis.
Perguntas frequentes sobre o PNPCIRAS e as metas para IRAS
O que é o PNPCIRAS?
O PNPCIRAS é o Programa Nacional de Prevenção e Controle das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde. Ele define orientações, metas e indicadores para que os serviços de saúde identifiquem, previnam e controlem infecções associadas ao cuidado, promovendo pacientes mais seguros e ambientes assistenciais de excelência.
Quais são as metas do PNPCIRAS 2026-2030?
As metas do PNPCIRAS 2026-2030 envolvem a redução dos índices das principais IRAS, a notificação regular e padronizada dos indicadores, o fortalecimento da vigilância epidemiológica, o uso racional de antimicrobianos e o comprometimento dos profissionais com práticas seguras nas unidades assistenciais. A integração de equipes e o controle ambiental também são pilares fundamentais para o alcance dos objetivos.
Como controlar IRAS nos hospitais?
O controle das IRAS nos hospitais exige vigilância ativa, notificação criteriosa dos casos, adoção de protocolos baseados em evidências, capacitação das equipes, auditorias internas, uso racional de antibióticos, estrutura física adequada e engajamento coletivo dos profissionais. Todo o processo deve ser monitorado com indicadores definidos, permitindo respostas rápidas diante de qualquer aumento nas taxas de infecção.
Quem deve implementar as metas do PNPCIRAS?
A implementação das metas é responsabilidade de todos os serviços de saúde que realizam atendimento assistencial, especialmente aqueles com UTIs, centros cirúrgicos, maternidades e unidades de diálise. A coordenação do programa depende do envolvimento de gestores, equipes assistenciais, laboratórios e lideranças institucionais em todos os níveis do sistema de saúde.
Onde encontrar informações detalhadas sobre IRAS?
Informações detalhadas sobre IRAS podem ser obtidas nas notas técnicas da ANVISA, portais institucionais e guias específicos sobre critérios diagnósticos, notificação de indicadores, ações de vigilância e prevenção. Também existem recursos didáticos e orientativos que auxiliam no correto preenchimento das notificações e na atualização das equipes assistenciais.
A vigilância das IRAS: monitoramento contínuo e ação imediata
Ambiente seguro: controle ambiental e fluxo de ar
Desafios e próximos passos para as instituições

