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Imipenem/Cilastatina

O imipenem/cilastatina é uma das opções mais eficazes para o tratamento de infecções graves, especialmente aquelas causadas por patógenos resistentes. No entanto, devido ao aumento da resistência bacteriana, seu uso deve ser baseado em testes de suscetibilidade microbiológica. Ajustes de dose são essenciais para pacientes com insuficiência renal, e a combinação com outros antibióticos pode ser necessária para ampliar a cobertura contra organismos resistentes.
Imipenem Cilastatina - InfectoCast

O imipenem é um antibiótico da classe dos carbapenêmicos que atua inibindo a síntese da parede celular bacteriana. Ele é associado à cilastatina, um inibidor da dehidropeptidase I, para evitar sua degradação renal e aumentar sua eficácia. Este artigo apresenta um resumo detalhado sobre suas indicações, posologia, efeitos adversos e espectro de ação.

Indicações

A FDA aprova o uso de imipenem/cilastatina para:

  • Infecções de pele e tecidos moles (exceto MRSA)
  • Infecções do trato respiratório inferior (pneumonia, bronquite, exacerbações de DPOC)
  • Infecções ginecológicas
  • Infecções intra-abdominais (apendicite, peritonite)
  • Infecções urinárias complicadas e não complicadas
  • Endocardite bacteriana
  • Sepse bacteriana
  • Infecções ósseas e articulares

Usos “off-label”:

  • Gangrena gasosa
  • Infecção do pé diabético
  • Infecções por bactérias multirresistentes (MDR Gram-negativos)
  • Infecções por Nocardia
  • Infecções por micobactérias não tuberculosas
  • Melioidose

Formas Farmacêuticas e Posologia

A imipenem/cilastatina está disponível na forma injetável:

  • 500 mg por frasco-ampola

Doses Usuais em Adultos

  • Infecções urinárias: 250-500 mg IV a cada 6 horas
  • Infecções leves a moderadas: 500 mg IV a cada 6-8 horas
  • Infecções graves, incluindo Pseudomonas aeruginosa: 1 g IV a cada 6-8 horas
  • Infusão prolongada (3 horas): Utilizada para otimizar tempo sobre MIC
  • Pacientes obesos: Pode ser necessária dose ajustada (1 g IV a cada 6 horas)

Ajustes para insuficiência renal:

  • TFG 30-59 mL/min: 500 mg IV a cada 8 horas
  • TFG 15-29 mL/min: 250 mg IV a cada 8 horas
  • TFG < 15 mL/min: Não recomendado, a menos que o paciente esteja em diálise
  • Hemodiálise: 250-500 mg IV a cada 12 horas

Doses Pediátricas

  • Crianças ≥ 3 meses: 15-25 mg/kg IV a cada 6 horas (máx. 4 g/dia)
  • Infecções graves (fibrose cística, M. abscessus): 25 mg/kg IV a cada 6 horas
  • Neonatos: Dose ajustada pela idade pós-natal e peso

Efeitos Adversos

Os efeitos adversos mais comuns incluem:

  • Frequentes: Náusea, diarreia, anemia (10-18%)
  • Ocasionalmente: Flebite, hipersensibilidade, eosinofilia, elevação de transaminases
  • Raros, mas graves: Convulsões (risco aumentado em insuficiência renal), colite por Clostridioides difficile, anafilaxia, supressão medular

Interações Medicamentosas

  • Ciclosporina: Aumento da neurotoxicidade
  • Ganciclovir: Aumento do risco de convulsões
  • Probenecida: Aumenta concentrações de imipenem, uso cauteloso em insuficiência renal
  • Ácido valproico: Redução dos níveis séricos, comprometendo controle de convulsões

Espectro de Ação e Resistência

O imipenem/cilastatina apresenta um amplo espectro de ação:

  • Gram-positivos: Streptococcus pneumoniae, Enterococcus faecalis, Staphylococcus aureus (MSSA)
  • Gram-negativos: Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae, Enterobacter spp., Pseudomonas aeruginosa
  • Anaeróbios: Bacteroides fragilis, Peptostreptococcus spp.

Resistência:

  • MRSA, Stenotrophomonas maltophilia, Burkholderia cepacia e Enterococcus faecium
  • Resistência emergente devido a carbapenemases (KPC, NDM, OXA-48)
  • Perda de porinas e bombas de efluxo são mecanismos comuns em Pseudomonas e Acinetobacter

Considerações Clínicas

  • Preferência em infecções por bactérias produtoras de ESBL e bacteremias graves
  • Evitar monoterapia em infecções por Pseudomonas ou Acinetobacter resistentes
  • Monitoramento rigoroso em pacientes com insuficiência renal para evitar convulsões

Conclusão

O imipenem/cilastatina é uma das opções mais eficazes para o tratamento de infecções graves, especialmente aquelas causadas por patógenos resistentes. No entanto, devido ao aumento da resistência bacteriana, seu uso deve ser baseado em testes de suscetibilidade microbiológica. Ajustes de dose são essenciais para pacientes com insuficiência renal, e a combinação com outros antibióticos pode ser necessária para ampliar a cobertura contra organismos resistentes.

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