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Haemophilus ducreyi e Cancroide:

O Haemophilus ducreyi é um cocobacilo Gram-negativo facultativamente anaeróbico, responsável pelo cancroide, uma infecção sexualmente transmissível (IST) caracterizada por úlceras genitais dolorosas e linfadenopatia inguinal. A infecção está associada a um aumento do risco de transmissão do HIV e é mais prevalente em regiões tropicais e subtropicais, especialmente na África, Sudeste Asiático e Caribe.

O Haemophilus ducreyi é um cocobacilo Gram-negativo facultativamente anaeróbico, responsável pelo cancroide, uma infecção sexualmente transmissível (IST) caracterizada por úlceras genitais dolorosas e linfadenopatia inguinal. A infecção está associada a um aumento do risco de transmissão do HIV e é mais prevalente em regiões tropicais e subtropicais, especialmente na África, Sudeste Asiático e Caribe.

Embora o cancroide tenha sido historicamente uma das principais causas de úlceras genitais, sua incidência tem diminuído significativamente em diversas regiões do mundo, inclusive nos Estados Unidos, onde há menos de 10 casos relatados anualmente desde 2016.

Microbiologia

  • Gram-negativo, pequeno e pleomórfico.
  • Necessita de hemina (fator X) para crescimento, mas não requer NAD (fator V).
  • Crescimento exige meios enriquecidos, dificultando a cultura laboratorial.
  • O microrganismo se aloja em neutrófilos e fibrina na fase ulcerativa.
  • Técnicas moleculares permitem rastrear sua origem geográfica.

Epidemiologia

  • Mais comum na África, Sudeste Asiático e Caribe.
  • Nos EUA, ocorre raramente, geralmente em pequenos surtos localizados.
  • A diminuição da prevalência pode estar relacionada a mudanças no comportamento sexual, uso de antibióticos e controle de ISTs.
  • Em alguns países, é uma das principais causas de úlceras genitais.

Manifestações Clínicas

Cancróide Genital

  • Lesões dolorosas: úlceras necrosantes e irregulares, com bordas bem definidas e base purulenta.
  • Incubação: 4-10 dias após a exposição.
  • Início: mácula eritematosa que progride para a pústula e, posteriormente, úlcera necrótica.
  • Diferencial com sífilis e herpes genital:
    • Cancroide: úlcera dolorosa, sem induração e com base purulenta.
    • Sífilis primária (Treponema pallidum): úlcera indolor, bordas regulares, base limpa.
    • Herpes genital (HSV-1 e HSV-2): múltiplas vesículas dolorosas sobre base eritematosa.
  • Nos homens: múltiplas úlceras em 50% dos casos.
  • Nas mulheres: pode ser assintomático ou manifestar-se como úlceras dolorosas nos genitais externos.
  • Co-infecção com sífilis ocorre em até 10% dos casos.

Linfadenite Inguinal (Bubões)

  • Ocorre em 40% dos casos.
  • Linfonodos inflamados podem evoluir para abscessos supurativos.
  • Quando há linfonodopatia dolorosa + úlcera genital, a probabilidade de cancroide é alta.

Outras Manifestações

  • Auto-inoculação pode causar lesões em outras áreas, como:
    • Dedos (por manipulação da úlcera).
    • Olhos (conjuntivite).
    • Pernas e mamas.
  • Infecção cutânea primária: raramente, podem surgir úlceras cutâneas sem história de contato genital, como observado na Oceania.

Diagnóstico

O diagnóstico pode ser presuntivo ou definitivo.

Critérios para Diagnóstico Presuntivo (CDC)

O diagnóstico de cancroide pode ser considerado em pacientes com:

  1. Úlcera genital dolorosa.
  2. Ausência de evidência de sífilis (teste treponêmico negativo após 7-14 dias).
  3. Teste negativo para HSV.
  4. Apresentação clínica típica (úlcera necrótica, purulenta, sem induração).

Diagnóstico Laboratorial

  1. Cultura:
    • Feita em meios enriquecidos (pouco disponível).
    • Sensibilidade de 80%, aumentando quando mais de um meio de cultura é usado.
  2. PCR:
    • Mais sensível que a cultura.
    • Não há teste comercial aprovado pela FDA.
  3. Microscopia direta:
    • Pode revelar bacilos Gram-negativos, mas não é específica.

Diagnóstico Diferencial

  • Sífilis (Treponema pallidum).
  • Herpes genital (HSV-1 e HSV-2).
  • Linfogranuloma venéreo (Chlamydia trachomatis).
  • Donovanose (Klebsiella granulomatis).

Tratamento

Regimes Recomendados

O tratamento com antibióticos acelera a cicatrização e reduz a transmissibilidade.

  • Opções preferenciais:
    • Azitromicina 1 g VO dose única.
    • Ceftriaxona 250 mg IM dose única.
  • Alternativas:
    • Ciprofloxacino 500 mg VO 2x/dia por 3 dias.
    • Eritromicina base 500 mg VO 3x/dia por 7 dias.

Casos Especiais

  • Gestantes:
    • Azitromicina 1 g VO ou Ceftriaxona 250 mg IM.
    • Eritromicina pode ser usada, mas tem maior risco de efeitos adversos.
    • Ciprofloxacino é contraindicado na gravidez.
  • HIV e Homens Não Circuncisados:
    • Resposta ao tratamento pode ser mais lenta.
    • Pode ser necessário repetir o tratamento.

Manejo dos Bubões

  • Aspiração com agulha é preferível a incisão e drenagem.
  • Pode ser necessário repetir a aspiração se houver acúmulo de pus.

Seguimento e Prevenção

Monitoramento

  • Revisão em 3-7 dias após o início do tratamento.
  • Úlceras devem apresentar melhora em 48-72 horas e cicatrizar em duas semanas.
  • Caso não haja melhora, considerar:
    • Diagnóstico incorreto.
    • Co-infecção com outra IST.
    • Resistência antimicrobiana.
    • Falha na adesão ao tratamento.

Prevenção

  • Tratamento de parceiros sexuais dos últimos 10 dias, mesmo se assintomáticos.
  • Testagem para HIV e sífilis (na primeira consulta e repetição após 3 meses).

Conclusão

O cancroide é uma IST ulcerativa rara em países desenvolvidos, mas ainda endêmica em regiões tropicais. O diagnóstico é baseado principalmente na clínica, devido à baixa disponibilidade de testes laboratoriais. O tratamento com azitromicina ou ceftriaxona é altamente eficaz. O rastreamento e tratamento de parceiros, bem como o acompanhamento para outras ISTs, são essenciais para o controle da infecção.

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Referências

  1. Workowski KA, Bachmann LH, Chan PA, et al. Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines, 2021. MMWR Recomm Rep. 2021;70(4):1-187. [PMID:34292926].
  2. Lewis DA. Epidemiology, clinical features, diagnosis and treatment of Haemophilus ducreyi – a disappearing pathogen? Expert Rev Anti Infect Ther. 2014;12(6):687-96. [PMID:24597521].
  3. Martin DH, Sargent SJ, Wendel GD, et al. Comparison of azithromycin and ceftriaxone for the treatment of chancroid. Clin Infect Dis. 1995;21(2):409-14. [PMID:8562752].

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