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Espécies de Eikenella:

As bactérias do gênero Eikenella são cocobacilos Gram-negativos anaeróbios facultativos e fazem parte da microbiota normal da cavidade oral, trato gastrointestinal e geniturinário. Embora sejam frequentemente comensais, podem causar infecções oportunistas, especialmente em feridas por mordidas humanas, infecções odontogênicas, endocardite e abscessos cerebrais.

As bactérias do gênero Eikenella são cocobacilos Gram-negativos anaeróbios facultativos e fazem parte da microbiota normal da cavidade oral, trato gastrointestinal e geniturinário. Embora sejam frequentemente comensais, podem causar infecções oportunistas, especialmente em feridas por mordidas humanas, infecções odontogênicas, endocardite e abscessos cerebrais.

A principal espécie patogênica é Eikenella corrodens, frequentemente encontrada em infecções polimicrobianas e parte do grupo HACEK, associado a endocardite infecciosa.

Microbiologia

Características Gerais

  • Bacilo Gram-negativo pleomórfico.
  • Anaeróbio facultativo e fastidioso.
  • Forma colônias que “corroem” o ágar em ~50% dos casos.
  • Melhor crescimento em ambiente com 3-10% de CO₂.
  • Parte da microbiota oral e intestinal humana.

Principais Espécies

  • Eikenella corrodens → Principal patógeno humano.
  • Eikenella halliae e Eikenella exigua → Raramente causam infecção.

Fatores de Virulência

  • Produção de biofilme, dificultando a erradicação em infecções crônicas.
  • Capacidade de invadir tecidos profundos, causando infecções odontogênicas graves.
  • Baixa resposta inflamatória inicial, tornando as infecções frequentemente indolentes.

Epidemiologia

  • Infecções são frequentemente polimicrobianas, associadas a Streptococcus spp., Staphylococcus spp. e anaeróbios.
  • Parte do grupo HACEK, responsável por endocardite infecciosa subaguda.
  • Causas comuns de infecção:
    • Feridas por mordidas humanas (mão fechada, lutas, lesões dentárias).
    • Infecções odontogênicas e abcessos cervicofaciais.
    • Infecções pós-cirúrgicas de cabeça e pescoço.

Fatores de Risco

  • Mordidas humanas e lesões em punho (clenched fist injury).
  • Cirurgia oral, extração dentária, periodontite.
  • Dispositivos invasivos (marcapassos, válvulas cardíacas, cateteres venosos centrais).
  • Uso de drogas intravenosas (“needle-licker’s osteomyelitis”).

Manifestações Clínicas

1. Infecções Odontogênicas e Cabeça/Pescoço

  • Componente da microbiota oral, mas pode causar:
    • Periodontite necrosante.
    • Abscessos dentários e cervicofaciais.
    • Faringite e infecções pós-cirúrgicas de cabeça e pescoço.
  • Associado a infecções profundas, incluindo:
    • Abscesso cerebral.
    • Tromboflebite séptica da veia jugular interna (síndrome de Lemierre-like).

2. Infecções de Pele e Partes Moles

  • Mordidas humanas e feridas traumáticas contaminadas:
    • Infecção da mão fechada (clenched fist injury).
    • Paroníquia (infecção da borda da unha).
    • Celulite, abscessos e fasciíte necrosante (raro).
  • Infecção associada ao uso de drogas intravenosas (“needle-licker’s osteomyelitis”).

3. Endocardite Infecciosa (Grupo HACEK)

  • Infecção rara, mas com alta morbidade.
  • Principalmente em pacientes com válvulas protéticas ou anomalias cardíacas.
  • Progressão lenta, mas com risco de embolização séptica.

4. Infecções Pulmonares

  • Pneumonia aspirativa e abscessos pulmonares.
  • Empiema e septicemia associada a tromboflebite séptica.

5. Infecções Abdominais e Pélvicas

  • Abscessos intra-abdominais e peritonite (especialmente em pacientes com diálise peritoneal).
  • Infecção associada a dispositivos intrauterinos (DIU).

Diagnóstico

1. Cultura e Identificação

  • Material clínico: Sangue, pus, secreções respiratórias, líquido sinovial.
  • Meios de crescimento: Ágar sangue, mas não cresce em ágar MacConkey.
  • Diferenciais laboratoriais:
    • Gram-negativo, catalase-negativo, oxidase-positivo.
    • Colônias frequentemente produzem “pitting” (corrosão do ágar).

2. Diagnóstico Diferencial

  • Endocardite HACEK → Diferenciar de Haemophilus spp., Aggregatibacter spp., Cardiobacterium spp., Kingella spp.
  • Infecções odontogênicasStreptococcus viridans, Fusobacterium spp., Actinomyces spp.
  • Infecções de mordidasPasteurella spp. (mordidas de animais), Streptococcus pyogenes.

Tratamento

1. Infecções de Mordidas Humanas e Tecidos Moles

  • Drenagem de abscessos é essencial.
  • Antibioticoterapia empírica:
    • Ampicilina/sulbactam 1,5-3 g IV 6/6h.
    • Alternativa: Piperacilina/tazobactam 3,375 g IV 6/6h.
    • Ceftriaxona 1-2 g IV 24/24h → Se for necessária terapia ambulatorial IV.
  • Opções orais:
    • Amoxicilina/clavulanato 875/125 mg VO 12/12h.
    • Doxiciclina 100 mg VO 12/12h (se intolerância a beta-lactâmicos).

2. Endocardite

  • Terapia de escolha (4-6 semanas):
    • Ceftriaxona 2 g IV 24/24h ou Cefotaxima 1-2 g IV 8/8h.
  • Alternativas:
    • Ampicilina 2 g IV 4/4h + Sulbactam (se cultura sensível).
    • Fluoroquinolonas (Ciprofloxacino, Levofloxacino, Moxifloxacino) em casos selecionados.

3. Infecções Abdominais e Pélvicas

  • Tratamento semelhante às infecções odontogênicas.
  • Adicionar metronidazol se suspeita de infecção anaeróbia mista.

Prevenção

  • Profilaxia antibiótica em cirurgias orais de risco.
  • Higiene rigorosa em feridas por mordidas humanas.
  • Educação para evitar mordidas e feridas por punhos fechados em agressões.

Conclusão

As infecções por Eikenella corrodens são frequentemente polimicrobianas e de progressão lenta, afetando principalmente tecidos moles, cavidade oral e endocardite associada ao grupo HACEK. O diagnóstico requer cultura especializada, e o tratamento envolve beta-lactâmicos ou cefalosporinas de terceira geração, com drenagem de abscessos sempre que necessário.

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