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Os desafios e tratamento da Candidíase intra-abdominal no pós-cirúrgico

Entenda a candidíase intra-abdominal e seus fatores de risco, suas diretrizes de tratamento e a sua importância fundamental no controle do foco infeccioso em pacientes cirúrgicos

O que é e qual o cenário da candidíase intra-abdominal?

O aumento das graves infecções fúngicas está diretamente atrelado ao crescimento de populações de risco, englobando imunossuprimidos e pacientes com histórico de internação prolongada em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

Após cirurgias abdominais complicadas, o paciente pode desenvolver a candidíase intra-abdominal. Ela não é uma condição isolada, mas um conjunto de diferentes infecções graves no abdômen, abrangendo a peritonite, os abscessos abdominais e as infecções necróticas. Ao contrário das infecções bacterianas comuns, a suspeita fúngica exige uma análise aprofundada do histórico recente do paciente e das intervenções às quais ele foi submetido.

Quem apresenta maior risco de infecção fúngica no abdômen?

O desenvolvimento dessa complicação ocorre, geralmente, em cenários de alta complexidade clínica. A terapia antifúngica deve ser considerada sempre que houver evidência clínica de infecção intra-abdominal associada a fatores de risco significativos.

Os principais gatilhos incluem:

  • cirurgia abdominal recente.
  • presença de vazamentos anastomóticos, também conhecidos como fístulas.
  • quadros graves de pancreatite necrosante.
  • histórico de internação prolongada em unidades de terapia intensiva.
  • condições de imunossupressão. 

O papel essencial do controle de foco

Um dos maiores erros no manejo dessas infecções é a dependência exclusiva da terapia medicamentosa. As diretrizes internacionais enfatizam que o controle do foco infeccioso, realizado por meio de drenagem adequada da cavidade ou coleções, é uma parte essencial do tratamento para a Candidíase intra-abdominal.

Sem a limpeza cirúrgica ou guiada por imagem do abdômen, os antifúngicos têm sua eficácia drasticamente reduzida, perpetuando o estado de choque e a resposta inflamatória sistêmica do paciente.

O que prescrever ao paciente com Candidíase intra-abdominal?

A escolha do antifúngico ideal demanda avaliação da gravidade do paciente e de sua exposição prévia a outros medicamentos.

  • Para pacientes em estado grave: a primeira linha de combate deve ser feita com os antifúngicos mais potentes, da classe das equinocandinas. Os medicamentos desse grupo (como a Micafungina, a Caspofungina, a Anidulafungina e a Rezafungina) têm ação rápida e letal contra o fungo.
  • Para pacientes que já usaram outros antifúngicos: se o paciente já utilizou remédios mais simples ou de uso comum (como o fluconazol, que pertence à classe dos azóis), as equinocandinas também são a recomendação principal para vencer a resistência que o fungo possa ter criado.
  • Tempo de tratamento: a infecção fúngica é persistente, por isso a medicação não é suspensa assim que o paciente apresenta melhora. O antifúngico deve ser mantido por um período mínimo de 14 dias seguidos, contados apenas a partir do momento em que todos os sintomas sumirem e os exames de sangue (hemoculturas) derem negativo para a presença do fungo.

O uso racional desses medicamentos, além da ação rápida da equipe cirúrgica e infectológica, continuam sendo os pilares para salvar os pacientes acometidos pela infecção.

Conteúdo complementar

Para aprofundar a discussão sobre a Candidíase intra-abdominal, ouça o episódio 197 do InfectoCast, conduzido pelos médicos infectologistas Dr. William Dunke, Dr. João Prats e Dra. Paula Peçanha.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). Anidulafungina para tratamento de pacientes com candidemia e outras formas de candidíase invasiva: relatório técnico. Brasília: Ministério da Saúde, 2022.

GLOBAL ALLIANCE FOR INFECTIONS IN SURGERY. Intra-abdominal candidiasis. [S. l.]: Global Alliance for Infections in Surgery, [20-?].

INFECTIOUS DISEASES SOCIETY OF AMERICA (IDSA). 2016 Clinical Practice Guideline Update for the Management of Candidiasis. Arlington: IDSA, 2016.

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