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Antibióticos no fim da vida: reflexões para a prática profissional

Este artigo aborda os dilemas do uso de antibióticos no fim da vida, mostrando que a decisão envolve ética, prognóstico e qualidade de vida, não só microbiologia. Destaca riscos como toxicidade, seleção de resistência e uso excessivo de recursos. Defende proporcionalidade terapêutica e decisão compartilhada, reforçando o papel do infectologista no uso racional e na orientação das equipes.
Antibióticos no fim da vida: reflexões para a prática profissional

Dilemas clínicos, resistência antimicrobiana e papel do infectologista nos cuidados paliativos.

O uso de antibióticos no fim da vida é um dos dilemas mais complexos enfrentados na infectologia. Embora sejam tradicionalmente considerados intervenções seguras, sua indicação em pacientes paliativos exige análise crítica que envolve não apenas microbiologia, mas também ética, prognóstico e qualidade de vida.

Desafios clínicos

Em pacientes terminais, a prescrição de antimicrobianos pode gerar:

  • Toxicidade farmacológica: nefrotoxidade, hepatotoxidade e efeitos adversos que reduzem o conforto.
  • Seleção de resistência: impacto epidemiológico relevante em hospitais e comunidades.
  • Uso de recursos: prolongamento de internações, custos adicionais e sobrecarga para equipes de saúde.

Dimensão ética e paliativa

Segundo a definição da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre cuidados paliativos, o foco deve ser a qualidade de vida. Nesse cenário, o infectologista precisa dialogar com equipes multiprofissionais para avaliar:

  • Proporcionalidade terapêutica: quando o antibiótico agrega valor clínico real.
  • Evitar obstinação terapêutica: reconhecer limites da intervenção antimicrobiana.
  • Decisão compartilhada: incluir paciente e familiares no processo, reduzindo o sofrimento moral da equipe.

O papel estratégico do infectologista

O especialista em infectologia ocupa posição central:

  • Avaliar risco-benefício da terapia antimicrobiana.
  • Orientar equipes sobre racionalidade terapêutica.
  • Contribuir para políticas institucionais de uso de antimicrobianos em contextos paliativos.

Discutir antibióticos no fim da vida é discutir o próprio significado de cuidado. Mais do que prolongar dias, trata-se de garantir dignidade, proporcionalidade e humanidade.

Para aprofundar esse debate, recomendo assistir ao episódio 170 do InfectoCast, que explora o tema com especialistas em cuidados paliativos e infectologia.

Assista no YouTube clicando aqui ou no player abaixo.

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