Amoxicilina

A amoxicilina continua sendo um dos antibióticos mais prescritos devido à sua eficácia e segurança. No entanto, o aumento da resistência bacteriana exige seu uso criterioso, especialmente para infecções urinárias e gonorreia. A combinação com inibidores de beta-lactamase (ex: amoxicilina/clavulanato) pode ampliar seu espectro, sendo fundamental a avaliação da suscetibilidade microbiológica para otimizar os resultados terapêuticos.

A amoxicilina é um antibiótico beta-lactâmico amplamente utilizado no tratamento de diversas infecções bacterianas. Seu mecanismo de ação envolve a inibição da síntese da parede celular bacteriana, levando à lise e morte do microrganismo. Este artigo detalha suas principais indicações, formas de administração, dosagem, efeitos adversos e interações medicamentosas.

Indicações

A amoxicilina é indicada para o tratamento de infecções causadas por cepas suscetíveis de microrganismos, especialmente aqueles que não produzem beta-lactamase.

Indicações aprovadas pela FDA:

  • Infecções do ouvido, nariz e garganta (Streptococcus spp., S. pneumoniae, Staphylococcus spp., H. influenzae).
  • Infecções do trato urinário (E. coli, P. mirabilis, E. faecalis) – não recomendada empiricamente devido à resistência.
  • Infecções da pele e tecidos moles (Streptococcus spp., Staphylococcus spp.).
  • Infecções do trato respiratório inferior (S. pneumoniae, H. influenzae).
  • Gonorreia não complicada (N. gonorrhoeae) – não recomendada pelo CDC devido à resistência.
  • Erradicação do H. pylori (em combinação com outros agentes).
  • Faringite e amigdalite causadas por Streptococcus pyogenes.

Usos “off-label”:

  • Doença de Lyme.
  • Infecções não graves por Enterococcus spp..
  • Terapia supressiva para infecções em próteses articulares.
  • Profilaxia de endocardite.
  • Infecções dentárias.
  • Desafio oral para alergia à penicilina em casos de baixo risco.

Formas de Administração e Dosagem

A amoxicilina pode ser administrada por via oral (cápsulas, comprimidos, suspensão)

Apresentações disponíveis:

  • Cápsulas: 250 mg, 500 mg.
  • Comprimidos: 500 mg, 875 mg.
  • Comprimidos mastigáveis: 125 mg, 250 mg.
  • Suspensão oral: 125 mg/5mL, 200 mg/5mL, 250 mg/5mL, 400 mg/5mL, 500 mg/5mL

Dosagem em adultos:

  • Pneumonia adquirida na comunidade:
    • 500 mg VO a cada 8h (S. pneumoniae sensível).
  • Infecção do trato urinário: 250-500 mg VO a cada 8h (ou 875 mg VO a cada 12h).
  • Infecção da pele e tecidos moles: 250-500 mg VO a cada 8h (ou 875 mg VO a cada 12h).
  • Faringite estreptocócica: 1000 mg VO 1x/dia ou 500 mg VO a cada 12h por 10 dias.
  • Profilaxia de endocardite: 2 g VO uma vez, 1h antes do procedimento.
  • Erradicação de H. pylori: 1 g VO a cada 12h, podendo ser aumentada para 2 g/dia conforme necessidade.

Dosagem pediátrica:

  • Neonatos: 20-30 mg/kg/dia VO dividido a cada 12h.
  • Crianças:
    • Infecções leves/moderadas: 25-50 mg/kg/dia VO dividido a cada 8-12h (máx. 500 mg/dose).
    • Infecções graves: 80-100 mg/kg/dia VO dividido a cada 8-12h (máx. 1000 mg/dose).
    • Otite média: 80-90 mg/kg/dia VO dividido a cada 12h.
    • Pneumonia adquirida na comunidade: 90 mg/kg/dia VO dividido a cada 8-12h (máx. 1000 mg/dose).

Ajustes renais:

  • Clearance de creatinina (CrCl) >30 mL/min: dose usual.
  • CrCl 10-30 mL/min: 250-500 mg VO a cada 12h.
  • CrCl <10 mL/min: 250-500 mg VO a cada 24h.
  • Hemodiálise: 500 mg VO a cada 24h, com suplementação pós-HD de 250-500 mg.

Efeitos Adversos e Toxicidade

A amoxicilina é geralmente bem tolerada, mas pode causar alguns efeitos adversos.

Efeitos adversos comuns:

  • Rash cutâneo (especialmente em mononucleose infecciosa ou leucemia linfocítica crônica).
  • Diarreia.
  • Colite por C. difficile.
  • Reações de hipersensibilidade.

Efeitos adversos raros:

  • Anemia hemolítica autoimune
  • Leucopenia, trombocitopenia.
  • Convulsões (especialmente em insuficiência renal)
  • Nefrite intersticial.
  • Elevação de enzimas hepáticas.

Interações Medicamentosas

A amoxicilina pode interagir com diversos fármacos:

  • Alopurinol: aumento do risco de rash.
  • Anticoncepcionais orais: possível redução da eficácia.
  • Anticoagulantes: aumento do efeito da varfarina.

Espectro de Atividade Antimicrobiana

A amoxicilina possui um amplo espectro de ação, sendo eficaz contra:

  • Gram-positivos: Streptococcus pneumoniae, S. pyogenes, Actinomyces spp., Borrelia burgdorferi.
  • Gram-negativos: H. pylori, Escherichia coli (sensível), Pasteurella multocida, Salmonella spp.
  • Anaeróbios: Actinomyces spp., Prevotella spp.

Resistência:

  • E. coli: altas taxas de resistência (>50%).
  • S. pneumoniae: até 10,3% de resistência
  • H. pylori: resistência associada à produção de beta-lactamase e mutações em PBP1A.

Conclusão

A amoxicilina continua sendo um dos antibióticos mais prescritos devido à sua eficácia e segurança. No entanto, o aumento da resistência bacteriana exige seu uso criterioso, especialmente para infecções urinárias e gonorreia. A combinação com inibidores de beta-lactamase (ex: amoxicilina/clavulanato) pode ampliar seu espectro, sendo fundamental a avaliação da suscetibilidade microbiológica para otimizar os resultados terapêuticos.

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