A principal maneira de diagnosticar a pneumonia é a tradicional: no consultório. A sensibilidade do médico em identificar sinais como a frequência da respiração, a febre e as alterações na ausculta pulmonar é o que direciona o caso.
Essas informações, somadas ao uso do oxímetro, permitem o rápido entendimento da situação. Na maioria das vezes, essa avaliação é suficiente para decidir os próximos passos, antes mesmo de o paciente realizar um raio-X.
O dilema da escolha entre tratamento caseiro e hospitalar
Para ajudar a escolher entre uma internação ou um tratamento em casa, são utilizados alguns critérios. Caso o paciente apresente algum deles, é aconselhado que ele seja internado,os principais são:
- Confusão mental
- Taquipnéia
- Pressão arterial baixa
- Pacientes acima de 65 anos
- Pacientes com outras doenças
Além da avaliação técnica, é fundamental avaliar se o paciente tem condições e apoio para seguir com o tratamento em casa.
O cuidado na escolha do antibiótico e o risco da Tuberculose
No Brasil, a Amoxicilina ainda funciona muito bem para a maioria das pessoas que eram saudáveis antes da infecção, ou seja, sem fatores de risco para resistência. Atualmente, um dos grandes desafios é o uso desnecessário, principalmente em quadros virais os quais não há indicação de antibioticoterapia.
Por outro lado, quando indicado o uso, a escolha do antibiótico também pode mascarar quadros. As quinolonas respiratórias são um bom exemplo. Elas são práticas porque costumam ser tomadas apenas uma vez ao dia, mas podem mascarar a Tuberculose. Como esses remédios também agem contra a bactéria da tuberculose, o paciente pode sentir uma melhora passageira, o que atrasa o diagnóstico correto da doença por semanas. Portanto, como há tantos casos de tuberculose no Brasil, essa cautela é indispensável.
Prevenção e o sucesso do tratamento
Para além de focar no tratamento da infecção, é de suma importância focar na prevenção da pneumonia, as melhores formas de fazê-lo são:
- Vacinação: mantendo as vacinas de Influenza e Pneumococo em dia, reduzindo as chances de complicações e internações
- Cuidado contínuo: através da orientação do paciente sobre sinais de piora e garantir que ele tenha um acompanhamento após a fase aguda
Garantir que o paciente entenda as orientações e saiba quando procurar ajuda novamente é o que define uma recuperação completa e segura.
Conteúdo complementar
Para aprofundar a discussão sobre o tratamento e prevenção da pneumonia, ouça o episódio 190 do Infectocast:
Referências
CORRÊA, Ricardo de Amorim et al. Recomendações para o manejo da pneumonia adquirida na comunidade 2018. Jornal Brasileiro de Pneumologia, Brasília, v. 44, n. 5, p. 405-423, 2018.
METLAY, Joshua P. et al. Diagnosis and Treatment of Adults with Community-acquired Pneumonia. An Official Clinical Practice Guideline of the American Thoracic Society and Infectious Diseases Society of America. American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, [S. l.], v. 200, n. 7, p. e45-e67, 2019.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES (SBIm). Guia de Vacinação SBIm: Adulto e Idoso. São Paulo: SBIm, 2024/2025.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE INFECTOLOGIA (SBI). Diretrizes e Consensos: Recomendações sobre antimicrobianos. São Paulo: SBI, 2024.


