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Vigilância e Notificação de IRAS em Serviços de Diálise 2026: o que a Anvisa orienta

A Anvisa publicou a Nota Técnica nº 04/2026, que estabelece as orientações oficiais para a vigilância e Notificação de IRAS em Serviços de Diálise 2026 ao longo de 2026. O documento atualiza as diretrizes do ano anterior e consolida critérios técnicos fundamentais para padronizar a coleta, análise e notificação de dados em todo o território nacional.

A Anvisa publicou a Nota Técnica nº 04/2026, que estabelece as orientações oficiais para a vigilância e Notificação de IRAS em Serviços de Diálise 2026 ao longo de 2026. O documento atualiza as diretrizes do ano anterior e consolida critérios técnicos fundamentais para padronizar a coleta, análise e notificação de dados em todo o território nacional.

Pacientes com doença renal crônica submetidos à hemodiálise ou à diálise peritoneal apresentam risco elevado para IRAS, em razão da imunossupressão associada à doença de base e da necessidade frequente de acessos vasculares, cateteres e procedimentos invasivos. Nesse contexto, a vigilância sistemática desses eventos é considerada um componente essencial da segurança do paciente e da qualidade assistencial.

Objetivo e escopo da vigilância em diálise

A Nota Técnica Notificação de IRAS em Serviços de Diálise 2026 tem como objetivo orientar os serviços de diálise quanto à vigilância epidemiológica e à notificação nacional dos indicadores de IRAS e resistência aos antimicrobianos, além de esclarecer as alterações realizadas nos formulários de notificação em relação ao ano anterior.

As orientações se aplicam a todos os serviços de diálise intra-hospitalares e extra-hospitalares que realizam tratamento dialítico em pacientes com doença renal crônica inscritos nos programas de hemodiálise ou diálise peritoneal do próprio serviço. Unidades que realizam diálise à beira-leito exclusivamente em pacientes hospitalizados não devem notificar dados à Anvisa, embora permaneçam obrigadas a realizar vigilância interna para fins de prevenção e controle.

Vigilância epidemiológica como eixo central da segurança do paciente

A vigilância das IRAS em diálise é definida como um processo contínuo, ativo e sistemático de observação da ocorrência das infecções e de seus fatores associados. A Anvisa reforça que a vigilância permite conhecer o perfil epidemiológico dos serviços, identificar padrões de resistência microbiana, detectar surtos precocemente e avaliar a efetividade das medidas de prevenção e controle implementadas.

Além disso, a vigilância em diálise está diretamente relacionada às exigências regulatórias de segurança do paciente, incluindo a obrigatoriedade de notificação mensal dos eventos adversos e a avaliação periódica das práticas assistenciais por meio de indicadores de qualidade.

Critérios de inclusão de serviços e pacientes

Devem integrar o Sistema Nacional de Vigilância das IRAS em Diálise os serviços que realizam tratamento dialítico em pacientes com doença renal crônica inscritos em seus programas. Quanto aos pacientes, devem ser incluídos todos aqueles que realizaram pelo menos uma sessão de hemodiálise ou diálise peritoneal no mês de vigilância, independentemente da idade ou do tipo de acesso utilizado.

Pacientes hospitalizados que realizam sessões de diálise durante a internação só devem ser incluídos na vigilância do serviço de diálise se estiverem inscritos no programa ambulatorial e realizarem sessões fora do período de internação.

Notificação de IRAS em Serviços de Diálise 2026: indicadores nacionais obrigatórios

A notificação dos dados é obrigatória e deve ser realizada mensalmente, até o décimo quinto dia do mês subsequente ao mês de vigilância. Os dados são informados na forma de numeradores e denominadores, permitindo o cálculo padronizado das taxas pela Anvisa.

Entre os principais indicadores de monitoramento nacional em hemodiálise estão:

  • taxa de hospitalização,
  • taxa de mortalidade,
  • taxa de utilização de cateter temporário por mais de três meses,
  • taxa de infecção do acesso vascular,
  • taxa de bacteremia associada aos diferentes tipos de acesso,
  • uso de vancomicina intravenosa,
  • perfil microbiológico e resistência aos antimicrobianos.

Na diálise peritoneal, os indicadores incluem taxa de hospitalização, taxa de peritonite e taxa de mortalidade.

A Nota Técnica de Notificação de IRAS em Serviços de Diálise 2026 reforça que os serviços devem coletar os dados de forma sistemática, preferencialmente por vigilância ativa e prospectiva, e utilizar os critérios diagnósticos nacionais definidos no próprio documento.

Regras importantes para o correto preenchimento dos dados

Alguns conceitos operacionais recebem destaque especial em 2026. Pacientes que possuam simultaneamente fístula arteriovenosa e cateter devem ser contabilizados de acordo com o acesso de maior risco de infecção, ou seja, o cateter. Episódios de infecção devem respeitar um intervalo mínimo de 21 dias para serem considerados novos eventos, tanto para infecções do acesso vascular quanto para bacteremias e peritonites.

No caso de pacientes hospitalizados, a atribuição da infecção depende do momento de início do evento em relação à internação. Infecções com início antes do terceiro dia de internação devem ser atribuídas ao serviço de diálise de origem; a partir do terceiro dia, a infecção passa a ser atribuída ao hospital.

O uso de vancomicina intravenosa deve ser notificado apenas quando iniciado no mês de vigilância, respeitando também o intervalo mínimo de 21 dias entre tratamentos para caracterizar um novo uso.

Importância da vigilância microbiológica

A vigilância microbiológica é parte integrante da notificação. Os serviços devem informar o número absoluto dos microrganismos isolados em hemoculturas de pacientes com bacteremia, bem como os dados relacionados ao perfil de resistência aos antimicrobianos. Embora os cálculos percentuais sejam realizados pela Anvisa, os serviços são fortemente estimulados a analisar seus próprios dados para orientar ações locais de prevenção e controle.

Conclusão

A vigilância e Notificação de IRAS em Serviços de Diálise 2026, conforme orientado pela Anvisa, reforça uma abordagem técnica, estruturada e orientada por indicadores. O cumprimento dessas diretrizes vai além da obrigação regulatória e representa uma ferramenta essencial para reduzir infecções, qualificar o cuidado e fortalecer a segurança dos pacientes em diálise.

Para os serviços, o desafio está em transformar dados de vigilância em ações concretas, integrando a análise epidemiológica à prática assistencial cotidiana.

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