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Mycobacterium marinum:

O Mycobacterium marinum é uma micobactéria não tuberculosa (MNT) de crescimento lento, fotochromogênica, que habita ambientes aquáticos de água doce e salgada. Ele é o principal agente do "granuloma de aquário" ou "granuloma de piscina", causando infecções cutâneas e, raramente, infecções profundas em articulações e ossos. Essa infecção ocorre após trauma cutâneo em ambientes aquáticos contaminados, afetando principalmente pescadores, aquaristas, trabalhadores da indústria de aquacultura e nadadores.

O Mycobacterium marinum é uma micobactéria não tuberculosa (MNT) de crescimento lento, fotochromogênica, que habita ambientes aquáticos de água doce e salgada. Ele é o principal agente do “granuloma de aquário” ou “granuloma de piscina”, causando infecções cutâneas e, raramente, infecções profundas em articulações e ossos.

Essa infecção ocorre após trauma cutâneo em ambientes aquáticos contaminados, afetando principalmente pescadores, aquaristas, trabalhadores da indústria de aquacultura e nadadores.

Microbiologia

  • Bacilo álcool-ácido resistente (BAAR).
  • Crescimento lento (7-21 dias) em meios como Löwenstein-Jensen.
  • Ótima temperatura de crescimento: 27-32°C (cresce melhor em temperaturas frias).
  • Fotochromogênico: produz pigmentação amarelo-ouro quando exposto à luz.
  • Resistência natural à isoniazida (INH) e ácido para-aminossalicílico (PAS).

Reservatório e Transmissão

  • Água de aquários, lagos, piscinas e ambientes marinhos.
  • Peixes e crustáceos podem ser reservatórios naturais.
  • Infecção ocorre por inoculação direta em pele traumatizada (feridas, cortes, espinhos de peixes).

Epidemiologia e Fatores de Risco

  • Distribuição mundial, especialmente em climas tropicais e temperados.
  • Grupos de risco:
    • Aquaristas e pescadores (maioria dos casos).
    • Nadadores em piscinas contaminadas.
    • Trabalhadores da indústria de frutos do mar.
    • Pacientes imunossuprimidos (uso de biológicos, quimioterapia).

Período de Incubação

  • 2 a 4 semanas (podendo chegar a vários meses).

Manifestações Clínicas

1. Infecções Cutâneas e de Tecidos Moles

  • Lesões em membros superiores (>75% dos casos), principalmente mãos e antebraços.
  • Pápulas ou nódulos subcutâneos que podem ulcerar e formar crostas azul-arroxeadas.
  • Padrão esporotricoide: nódulos que se disseminam ao longo dos vasos linfáticos, semelhante à esporotricose.
  • Abscessos e úlceras são incomuns.
  • Complicações possíveis:
    • Infecção de tendões e articulações (tenossinovite).
    • Síndrome do túnel do carpo.

2. Infecção Óssea e Articular

  • Extensão local a tendões e articulações, especialmente em pacientes imunossuprimidos.
  • Osteomielite e artrite séptica podem ocorrer em casos crônicos.

3. Doença Pulmonar e Disseminada (Raro)

  • Casos isolados de infecção pulmonar foram relatados.
  • Infecção disseminada ocorre quase exclusivamente em pacientes com imunossupressão grave.

Diagnóstico

Sempre alertar o laboratório sobre a suspeita de M. marinum para garantir cultivo em temperatura reduzida (27-32°C).

1. Cultura e Exames Diretos

  • Cultura de material de lesão ativa: pode ser negativa em até 50% dos casos.
  • AFB (Baciloscopia de Ziehl-Neelsen): frequentemente negativa.
  • Histopatologia:
    • Granulomas caseosos em 75% dos casos.
    • Infiltrado inflamatório crônico.

2. Diagnóstico Molecular

  • PCR para M. marinum pode ser útil quando a cultura é negativa.

Diagnóstico Diferencial

  • Esporotricose (Sporothrix schenckii) → apresentação esporotricoide similar.
  • Infecções por Vibrio spp., Aeromonas spp., Edwardsiella spp. e Erysipelothrix rhusiopathiae → geralmente mais agudas e purulentas.

Tratamento

Não há estudos clínicos randomizados, mas combinações antibióticas são preferidas para infecções extensas ou invasivas.

1. Infecção Cutânea Localizada

  • Terapia combinada com 2 antibióticos por pelo menos 3 meses:
    • Claritromicina 500 mg VO 2x/dia + Rifampicina 600 mg VO/dia.
    • Alternativa: Claritromicina + Etambutol 15 mg/kg/dia.
  • Monoterapia pode ser considerada para casos leves:
    • Minociclina 100 mg VO 2x/dia.
    • Doxiciclina 100 mg VO 2x/dia.
    • TMP-SMX 1 DS VO 2x/dia.

2. Infecção Extensiva (Tendões, Articulações, Ossos)

  • Regime combinado por pelo menos 6 meses:
    • Claritromicina + Rifampicina + Etambutol (mais indicado para osteomielite).
    • Alternativa: Amicacina IV 10-15 mg/kg/dia pode ser adicionada em casos refratários.

3. Doença Disseminada

  • Regime agressivo por ≥ 12 meses:
    • Claritromicina + Rifampicina + Etambutol + Amicacina IV.

Evitar fluoroquinolonas, pois a atividade contra M. marinum é inconsistente.

Duração do Tratamento

  • Casos leves: 2-3 meses.
  • Casos moderados: ≥ 6 meses.
  • Casos graves (osteomielite, disseminados): ≥ 12 meses.

Primeiros sinais de melhora podem demorar até 12 semanas.

Terapias Adjuvantes

1. Cirurgia

  • Indicado em casos com:
    • Infecção profunda ou tenossinovite refratária.
    • Osteomielite extensa.

2. Terapia com Calor

  • Compressas quentes locais (45°C) podem acelerar a recuperação.
  • M. marinum é termossensível, e calor local pode ajudar na resolução mais rápida.

Prevenção e Controle

  • Uso de luvas para manipulação de aquários e frutos do mar.
  • Evitar contato de feridas abertas com água contaminada.
  • Manutenção e higiene rigorosa de aquários e piscinas.

Conclusão

O Mycobacterium marinum é um patógeno ambiental importante, particularmente em profissionais e entusiastas da aquacultura. O diagnóstico precoce requer suspeita clínica, e o tratamento, muitas vezes prolongado, deve ser baseado em terapia combinada com macrolídeos e rifampicina. A infecção pode ser crônica, mas raramente é fatal.

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Referências

  1. Canetti D, Riccardi N, Antonello RM, et al. Mycobacterium marinum: A brief update for clinical purposes. Eur J Intern Med. 2022;105:15-19. [PMID:35864075].
  2. Holden IK, Kehrer M, Andersen AB, et al. Mycobacterium marinum infections in Denmark from 2004 to 2017: A retrospective study. Sci Rep. 2018;8(1):6738. [PMID:29712930].
  3. Sia TY, Taimur S, Blau DM, et al. Clinical and Pathological Evaluation of Mycobacterium marinum Group Skin Infections. Clin Infect Dis. 2016;62(5):590-5. [PMID:26673347].
  4. Aubry A, Chosidow O, Caumes E, et al. Sixty-three cases of Mycobacterium marinum infection: clinical features, treatment, and antibiotic susceptibility. Arch Intern Med. 2002;162(15):1746-52. [PMID:12153378].

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