O gênero Haemophilus inclui bactérias Gram-negativas, pequenas e aeróbicas, que colonizam principalmente o trato respiratório humano. Algumas espécies são comensais, enquanto outras podem causar infecções invasivas graves. O patógeno mais relevante é o Haemophilus influenzae, responsável por doenças como otite média, sinusite, pneumonia e meningite.
A introdução da vacina contra H. influenzae tipo b (Hib) reduziu drasticamente os casos de infecção invasiva por essa cepa. No entanto, outras cepas, como H. influenzae não tipáveis (NTHi) e H. influenzae tipo a (Hia), estão emergindo como causas significativas de infecções respiratórias e invasivas.
Microbiologia
- Bacilos Gram-negativos, pequenos e pleomórficos.
- Exigentes em nutrientes: requerem fator X (hemina) e fator V (NAD) para crescer em laboratório.
- Crescem preferencialmente em ágar chocolate, mas não em ágar sangue convencional.
- Algumas espécies foram reclassificadas, como:
- Haemophilus aphrophilus → Aggregatibacter aphrophilus.
- Haemophilus segnis → Aggregatibacter segnis.
Principais Espécies Patogênicas
- Haemophilus influenzae:
- Encapsulados: seis sorotipos (a-f).
- H. influenzae tipo b (Hib): o mais virulento (agora raro devido à vacina).
- H. influenzae tipo a (Hia): crescente incidência de infecções graves.
- H. influenzae tipo f (Hif): menos comum, mas associado a infecções invasivas.
- Não tipáveis (NTHi): mais frequentes em otite média, sinusite e pneumonia.
- Encapsulados: seis sorotipos (a-f).
- Haemophilus parainfluenzae:
- Parte da flora oral e faríngea.
- Pode causar pneumonia, endocardite e infecções respiratórias.
- Haemophilus ducreyi:
- Agente do cancroide (IST ulcerativa).
Epidemiologia
- H. influenzae não tipável (NTHi) e tipo A (Hia) têm aumentado nos últimos anos, especialmente entre crianças pequenas e idosos.
- Altas taxas de colonização em crianças (até 70%).
- Grupos de risco para doença invasiva:
- Crianças menores de 5 anos.
- Adultos ≥ 65 anos.
- Povos indígenas da América do Norte.
- Pessoas com asplenia, HIV, imunossupressão, malignidades e doenças hematológicas.
Manifestações Clínicas
Infecções do Trato Respiratório Superior
- Otite Média Aguda (OMA):
- H. influenzae não tipável é um dos principais agentes em crianças.
- Pode causar falha terapêutica com a amoxicilina devido à produção de β-lactamase.
- Sinusite Bacteriana Aguda:
- Frequentemente associada a H. influenzae e Streptococcus pneumoniae.
- Epiglotite:
- Historicamente causada por Hib, mas agora rara em crianças vacinadas.
- Emergente em adultos.
Infecções do Trato Respiratório Inferior
- Pneumonia Comunitária (CAP):
- H. influenzae é um dos principais agentes em fumantes e DPOC.
- Maior risco em idosos e imunocomprometidos.
- Exacerbações de DPOC:
- H. influenzae é um dos principais patógenos envolvidos.
Doenças Invasivas
- Meningite:
- Ocorre principalmente em crianças não vacinadas.
- Pode ser causada por Hib, Hia ou NTHi.
- Bacteremia:
- H. influenzae tipo f e não tipável podem causar septicemia.
- Artrite Séptica e Osteomielite:
- Mais comum em crianças pequenas.
- Endocardite:
- Pode ser causada por H. parainfluenzae, especialmente em pacientes com valvopatias.
Diagnóstico
- Gram: Pequenos bacilos Gram-negativos em cultura.
- Cultura:
- Necessita ágar chocolate e incubação com CO₂.
- Sensibilidade baixa após antibioticoterapia.
- PCR:
- Testes moleculares são mais sensíveis, principalmente para meningite e sepse.
- Teste de Antígeno Capsular:
- Pode ser útil para meningite por H. influenzae.
- Sorotipagem:
- Importante para vigilância epidemiológica e rastreamento de resistência.
Tratamento
Infecções Leves a Moderadas
- Otite média, sinusite, bronquite:
- Amoxicilina/clavulanato 875 mg VO 2x/dia.
- Alternativas:
- Cefuroxima 500 mg VO 2x/dia.
- Azitromicina 500 mg VO no 1º dia, depois 250 mg/dia por 4 dias.
Infecções Graves
- Pneumonia, meningite, sepse:
- Ceftriaxona 2 g IV a cada 12h (ou Cefotaxima 2 g IV a cada 6h).
- Alternativas:
- Ampicilina (se suscetível).
- Ciprofloxacino 400 mg IV a cada 8h (em alergia a β-lactâmicos).
- Duração do tratamento:
- Pneumonia: 5-7 dias.
- Meningite: 10 dias.
- Bacteremia: 10-14 dias.
Prevenção
- Vacinação contra Hib:
- Doses aos 2, 4 e 6 meses + reforço aos 12-15 meses.
- Não protege contra NTHi ou Hia.
- Quimioprofilaxia para contatos domiciliares e surtos:
- Rifampicina 600 mg VO 1x/dia por 4 dias.
Conclusão
As infecções por Haemophilus continuam sendo uma causa relevante de doenças respiratórias e invasivas, apesar da redução dos casos de Hib com a vacinação. O aumento de NTHi e Hia destaca a necessidade de vigilância contínua e desenvolvimento de novas vacinas. O tratamento deve ser guiado por resistência antimicrobiana, com β-lactâmicos como primeira escolha e fluoroquinolonas como alternativas em alergia a penicilinas.
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Referências
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