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Espécies de Ehrlichia e Erliquiose Humana:

A Erliquiose Humana é uma infecção causada por bactérias do gênero Ehrlichia, transmitidas por carrapatos. São patógenos intracelulares obrigatórios, que infectam monócitos e macrófagos, levando a sintomas semelhantes à gripe e, em casos graves, insuficiência multiorgânica e complicações neurológicas.

A Erliquiose Humana é uma infecção causada por bactérias do gênero Ehrlichia, transmitidas por carrapatos. São patógenos intracelulares obrigatórios, que infectam monócitos e macrófagos, levando a sintomas semelhantes à gripe e, em casos graves, insuficiência multiorgânica e complicações neurológicas.

A infecção é endêmica em várias regiões dos Estados Unidos e Europa, sendo frequentemente subdiagnosticada.

Microbiologia

Características Gerais

  • Bacilos Gram-negativos intracelulares obrigatórios.
  • Infectam células do sistema mononuclear fagocítico (monócitos e macrófagos).
  • Transmitidos por carrapatos das espécies Amblyomma americanum e Ixodes scapularis.
  • Dificuldade de cultivo em laboratórios clínicos → Diagnóstico baseado em sorologia e PCR.

Espécies Patogênicas

EspécieDoença CausadaPrincipal VetorRegião de Prevalência
Ehrlichia chaffeensisErliquiose Monocítica Humana (HME)Amblyomma americanum (Carrapato Lone Star)EUA (Sul, Centro-Oeste, Leste)
Ehrlichia ewingiiErliquiose humana por E. ewingii (HEE)Amblyomma americanumMissouri, Oklahoma, Tennessee
Ehrlichia muris eauclairensisErliquiose humanaIxodes scapularisMinnesota, Wisconsin, Michigan
  • E. ewingii e E. muris eauclairensis são menos comuns e apresentam sintomas semelhantes à E. chaffeensis.
  • Soros podem apresentar reação cruzada com Anaplasma phagocytophilum, dificultando o diagnóstico laboratorial.

Epidemiologia

  • Regiões endêmicas nos EUA: Missouri, Oklahoma, Tennessee, Carolina do Norte, Arkansas.
  • Pico sazonal: Primavera e verão, coincidindo com a atividade máxima dos carrapatos.
  • Casos anuais: 1.200-1.500 nos EUA.
  • Fatores de risco:
    • Exposição a áreas florestadas ou rurais.
    • Profissões com contato com animais e carrapatos (veterinários, agricultores).
    • Idade avançada (idosos apresentam quadros mais graves).
    • Imunossupressão aumenta risco de complicações.

Manifestações Clínicas

1. Erliquiose Monocítica Humana (HME) – Ehrlichia chaffeensis

  • Incubação: 5-14 dias após a picada do carrapato.
  • Sintomas iniciais:
    • Febre alta (> 38,5°C).
    • Cefaleia intensa, fadiga e mialgia.
    • Náuseas, vômitos e dor abdominal (~25% dos casos).
    • Tosse seca e sintomas respiratórios leves (~30% dos casos).
    • Diarreia leve.
  • Manifestações laboratoriais:
    • Leucopenia e trombocitopenia (~80% dos casos).
    • Elevação de transaminases hepáticas.
    • Anemia normocítica.
  • Casos graves:
    • Meningoencefalite (~20%).
    • Síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA).
    • Insuficiência renal aguda.
    • Disfunção hepática e coagulopatia.
  • Rash cutâneo (30% dos adultos, 67% das crianças):
    • Maculopapular ou petequial, sem ulcerações.

2. Erliquiose Humana por E. ewingii (HEE)

  • Quadro semelhante à HME, mas rash é raro.
  • Mais comum em imunocomprometidos.
  • Infecção grave em pacientes transplantados.

3. Erliquiose Humana por E. muris eauclairensis

  • Casos descritos em Wisconsin e Minnesota.
  • Sintomas mais leves que HME, sem casos fatais registrados.

Diagnóstico

1. PCR (Padrão-Ouro)

  • Alta sensibilidade e especificidade.
  • Deve ser realizado antes do início dos antibióticos, pois a bacteremia desaparece rapidamente após a terapia.

2. Sorologia (Imunofluorescência – IFA)

  • Confirmação por aumento de 4x nos títulos de IgG.
  • Teste único com IgG ≥1:128 sugere infecção.
  • IgM pode apresentar falsos positivos → IgG mais confiável.

3. Esfregaço de Sangue

  • Pesquisa de morulae (inclusões intracelulares dentro de monócitos).
  • Baixa sensibilidade (2-38%) para HME.
  • Mais útil em Anaplasma phagocytophilum (25-75% dos casos).

4. Cultura

  • Difícil de realizar e raramente usada na prática clínica.

Tratamento

1. Primeira Linha

  • Doxiciclina 100 mg VO/IV 12/12h por 7-10 dias.
  • Tratamento deve ser iniciado empiricamente se suspeita clínica for alta.
  • Melhora clínica esperada em 24-48h.

2. Alternativas (Intolerância à Doxiciclina ou Gravidez)

  • Rifampicina 600 mg VO 1x/dia por 7-10 dias.
  • Ineficaz contra outras doenças transmitidas por carrapatos (Febre Maculosa, Doença de Lyme).

3. Tratamento em Crianças

  • Doxiciclina 2 mg/kg VO/IV 12/12h (seguro em crianças <8 anos por curtos períodos).
  • Monitoramento de complicações em pacientes imunossuprimidos.

Prevenção

  • Evitar áreas de alta infestação de carrapatos durante primavera/verão.
  • Uso de roupas claras e mangas longas.
  • Repelentes com DEET ou permetrina em roupas e equipamentos.
  • Inspeção diária da pele após atividades ao ar livre.

Profilaxia Pós-Exposição

  • Doxiciclina não é recomendada rotineiramente.
  • Monitoramento clínico de pacientes expostos.

Conclusão

A Erliquiose Humana é uma infecção transmitida por carrapatos potencialmente grave, frequentemente subdiagnosticada. O diagnóstico precoce por PCR e sorologia e o tratamento imediato com doxiciclina são essenciais para reduzir a mortalidade. A prevenção da picada de carrapatos é a melhor estratégia para evitar infecções.

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Referências

  1. Biggs HM, Behravesh CB, Bradley KK, et al. Diagnosis and Management of Tickborne Ehrlichioses. MMWR Recomm Rep. 2016.
  2. Dumler JS, Sutker WL, Walker DH. Persistent infection with Ehrlichia chaffeensis. Clin Infect Dis. 1993.

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